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terça-feira, 25 de março de 2014

Pesquisadores brasileiros sequenciaram genoma de 'leishmania amazonensis'


Disponível em:  <http://www.cbnfoz.com.br/editorial/educac%C3%A3o/ufmg/21032014-111474->. Acesso em: 21 mar.  2014


O sequenciamento do genoma do parasita Leishmania amazonensis, totalmente realizado por pesquisadores brasileiros – sob coordenação da professora Diana Bahia, do Departamento de Biologia Geral da UFMG –, pode ajudar a desvendar mecanismos pelos quais alguns microrganismos escapam da resposta imune do hospedeiro.

 Publicado na revista DNA Research, o artigo que descreve o trabalho aponta campos com vastas possibilidades de investigação em futuro próximo. “A pesquisa mais abre portas para uma série de entendimentos do que soluciona questões, mas tem importantes impactos dos pontos de vista médico e biológico”, destaca Diana Bahia.
Causadora de lesão cutânea difusa, forma mais grave e que não tem cura, de alta prevalência na América Latina e em especial na região amazônica do Brasil, a Leishmania amazonensis tem traços comuns com a Leishmania mexicana, e ambas diferem muito dos tipos mais comuns desse gênero, que já tiveram seu genoma elucidado.
Chamou a atenção da equipe de 16 pesquisadores que compõem o grupo a presença dos parasitas em vacúolos (espécies de bolsa) de grandes dimensões dentro dos macrófagos, células de defesa do sistema imune do hospedeiro. “Ele fica protegido e vai se replicando”, descreve a professora.
Segundo ela, a intenção foi descobrir se de dentro do macrófago o parasita secreta fatores proteicos que justifiquem a biogênese desse vacúolo largo e, consequentemente, a evasão da resposta imune. “O fato é que as respostas imunes clássicas que matariam outras espécies de leishmania não funcionam para a L. amazonensis”, explica Diana, lembrando que tal hipótese, por si, justificaria a decisão de sequenciar mais um genoma desse gênero.

Proteína de superfície
Contudo, outras evidências aumentaram o interesse pelo estudo. “Percebemos que a 
L. amazonensis tem cópias extras de uma proteína de superfície chamada amastina, identificada e caracterizada, inicialmente, pela professora Santuza Teixeira, da UFMG”, conta. Superfamília de proteínas composta por vários membros, as amastinas são encontradas apenas em tripanossomatídeos – grupo que inclui todas as leishmanias e os tripanossomas –, sendo bem mais abundante nas primeiras.

Em trabalho de quatro anos, utilizando prioritariamente ferramentas de bioinformática, o grupo buscou encontrar algo que diferenciasse a L. amazonensis das demais, já que as leishmanias são muito parecidas no âmbito genômico. Observaram que elas têm basicamente os mesmos genes, mas a espécie escolhida para objeto de estudo produz cópias diferenciadas desses genes. Além disso, a reconstrução filogenética revelou que em L. amazonensis e L. mexicana(ambas do complexo mexicana) algumas amastinas evoluíram de forma diferente.
De acordo com a professora, a maior expressão de amastina observada em Trypanosoma cruzi, por exemplo, faz com que esse parasita se multiplique muito mais rápido no seu vacúolo parasitóforo intracelular e, também, se diferencie rapidamente, assumindo forma infectiva que escapa do ataque da resposta imune.
“Embora isto não tenha sido demonstrado para a leishmania, nossa equipe acredita que a amastina poderia ser uma das moléculas responsáveis pela formação desses vacúolos grandes e, consequentemente, pela evasão da resposta imune, mas isso precisa ser estudado experimentalmente”, pondera Diana Bahia.

Interações
Os autores do estudo sugerem que fatores secretados por leishmania poderiam imitar fatores de mamíferos, perturbando, portanto, as interações de proteínas hospedeiras com nativas. Para identificar as possíveis interações de fatores do hospedeiro mamífero com os dos parasitas, construíram redes híbridas de interação de proteínas, os interactomas. O grupo percebeu que a L. amazonensis secreta uma heat-shock protein, ou HSP-70, que se liga a receptores de membrana, o Toll-like receptor 9 (TLR-9), importante regulador imunológico.
“Nossa hipótese é de que a secreção dessa proteína perturba o metabolismo do hospedeiro, promovendo a ligação com o TLR-9, encontrado em vesículas e vacúolos, o que desencadearia respostas favoráveis ao estabelecimento intracelular do parasita. Esses eventos podem estar envolvidos na sobrevivência do parasita em vacúolos dentro do hospedeiro, já que não seria alcançado pelo seu sistema imune”, esclarece.
O genoma sequenciado da Leishmania amazonensis está depositado em bancos de dados nacionais e em breve integrará o TriTrypDB, banco internacional dos tripanossomatídeos. A partir dessas informações, públicas, qualquer pesquisador pode dar prosseguimento ao estudo tanto das hipóteses apontadas pelo grupo quanto em outras áreas. Particularmente, Diana Bahia tem interesse em se aprofundar no papel das amastinas específicas de L. amazonensis e da HSP-70.
“Pretendo clonar essas proteí-nas, transfectar parasitas para obter uma superexpressão delas e infectar macrófagos ou clonar tais proteínas em leishmania de espécie formadora de vacúolos apertados e observar o efeito biológico consequente”, informa a professora, destacando a importância de se entender o papel de tais proteínas na biogênese do vacúolo largo.

A doença
A leishmaniose cutânea difusa (LCD), também conhecida como leishmaniose cutânea anérgica difusa (LCAD) ou leishmaniose anérgica hansenoide (LAH), foi descrita pela primeira vez na Amazônia brasileira, mais precisamente no estado do Pará, que relatou os primeiros achados clínicos sobre forma rara da leishmaniose tegumentar, ressaltando a natureza das lesões queloidianas. Em alguns casos, as lesões regridem espontaneamente, mas atualmente não há cura para a doença, que se apresenta mais gravemente em crianças.

Pesquisas revelam que L. amazonensis e L. mexicana vieram de organismos silvestres que apresentavam lesões. Segundo Diana Bahia, esses parasitas eram organismos de vida livre que, para se protegerem, começaram a parasitar outros seres, incluindo talvez amebas, obtendo vantagens evolutivas para se adaptarem a humanos e animais. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que boa parte dos mamíferos reservatórios e de humanos infectados pela L. amazonensis não apresentam lesões.

“É possível que a L. amazonensis seja uma dessas espécies que obtiveram vantagens em uma vida intracelular para viver silenciosamente no hospedeiro”, diz Diana. “Filosoficamente, isto representaria uma hipótese de troca (trade off hypothesis), teoria segundo a qual os parasitas tendem a evoluir de modo a viver em homeostase com o hospedeiro, pois a morte deste último é, em última análise, prejudicial à vida do parasita intracelular, que poderia desaparecer completamente. Acredita-se que os parasitas que permitem grande sobrevida aos hospedeiros são mais bem-sucedidos na sua reprodução e dispersão”, conclui a pesquisadora.

Artigo: REAL, F. et al. The genome sequence of Leishmania (Leishmania) amazonensis: functional annotation and extended analysis of gene models

Publicação: DNA Research. v. 20, p. 1-15. jul. 2013. O artigo está disponível neste link.
Financiamento: Fapesp e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Autores: Diana Bahia, do Departamento de Biologia Geral (ICB-UFMG), coordenou o projeto em colaboração com pesquisadores do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – incluindo o primeiro autor, Fernando Real – e com grupos do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) e do Laboratório de Genômica e Expressão da Universidade Estadual de Campinas (que abriga os dois outros primeiros coautores, Ramon Oliveira Vidal e Marcelo Falsarella Carazzolle)

Onde encontrar o genoma 
O Leishmania (Leishmania) amazonensis Genome Database está disponível 
neste endereço. As sequências foram depositadas no NCBI, sob o acesso APNT00000000 (SUBID SUB120161, BioProject PRJNA173202).


Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais

Sanofi enfrenta veredicto decisivo em aposta com vacina para dengue

Disponível em: <http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRSPEA2O03V20140325>. Acesso em: 25 mar. 2014


A Sanofi já investiu mais de 1 bilhão de euros no projeto e espera se tornar a primeira fabricante de medicamentos a vender uma vacina do tipo no ano que vem, depois de duas décadas de pesquisa na doença tropical que cresce mais rapidamente no mundo e para a qual não há um tratamento preventivo.NEUVILLE-SUR-SAONE, França, 25 Mar (Reuters) - A Sanofi espera que os resultados finais de estudos para sua vacina contra a dengue cheguem ao final de setembro, disse à Reuters o líder do projeto da farmacêutica francesa, e já apostou em começar a produção apesar de alguns dados decepcionantes nos estudos iniciais.


A Sanofi Pasteur, a unidade de vacinas da farmacêutica francesa, fez uma grande aposta industrial: ela começou a produzir a vacina em julho do ano passado para manter uma vantagem sobre os concorrentes e assegurar que estará pronta para vender as doses, pressupondo que ela finalmente receba aprovação dos reguladores.
"Hoje estamos confiantes de que nossa vacina pode ter um impacto na saúde pública e estamos nos preparando para seu sucesso", disse Guillaume Leroy, que chefia o projeto de vacina contra a dengue na Sanofi Pasteur, em uma entrevista.
Leroy disse que os resultados de um teste clínico final com 30 mil crianças na América Latina e no sudeste asiático devem chegar a partir do meio do ano. Ele disse que assim que sua equipe consiga extrair descobertas preliminares confiáveis, eles começarão a revelar tais descobertas.
Até o final do terceiro trimestre, a Sanofi terá os resultados clínicos consolidados completos que espera apresentar em uma conferência sobre doenças tropicais em novembro.
Se os dados forem positivos, a Sanofi espera vender a vacina a partir de meados de 2015 em ao menos um país atingido pela doença, provavelmente um dos 10 que participaram dos testes.
"É difícil prever qual país será o primeiro, mas podemos imaginar facilmente que será um dos países maiores, como o Brasil, o México, a Malásia, talvez as Filipinas", disse Leroy.
A dengue infecta de 50 a 100 milhões de pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mas alguns especialistas dizem que o número é três vezes maior.

(Por Natalie Huet e Noëlle Mennella)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

População de gatos cresce mais que a de cães como animais de estimação

Disponível em: <http://www.bemparana.com.br/>. Acesso em: 17 fev. 2014.
15/02/14.   Redação Bem Paraná

Segunda-feira, 17, é destinado a celebrar o Dia Mundial do Gato, por uma organização italiana de defesa dos animais para proteger os felinos de perseguições e promover as adoções. Os felinos têm ganhado cada vez mais espaço como animais de estimação nas grandes cidades.  Segundo dados atualizados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abrinpet), no Brasil existem aproximadamente 37,1 milhões de cães e 21,3 milhões de gatos.

Mas apesar do crescimento de cães – que em 2011 eram 35,7 milhões -, o aumento dos gatos é maior e significa uma alta de 8,19% em relação a 2011. A estatística reflete a procura por esse tipo de animal em grandes cidades, onde a vida em apartamentos poderá requerer pets menores e mais independentes. O crescimento das populações de ambos foi de 5,4% em 2013.

O Brasil é a 4ª maior nação do mundo em população total de animais de estimação e a 2ª em cães e gatos. Além deles, existem 26,5 milhões de peixes e 19,1 milhões de aves. Outros animais somam 2,17 milhões, totalizando 106,2 milhões de pets em escala nacional. 

Segundo pesquisas, 80% das pessoas no mundo têm um animal de estimação e a metade deles são gatos. Por muito tempo, não era possível dizer por que as pessoas preferiam os gatos aos cães, considerados amigos do homem.
Mas recentemente, a resposta foi encontrada. Os cientistas realizaram um estudo científico comparando os gatos e cães para descobrir qual deles é melhor companheiro do homem.
O gato venceu em 5 categorias: desenvolvimento do cérebro, popularidade, comunicação com homem, capacidades de super-percepção e respeito pelo ambiente.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Homem, que estava com dengue, recebe R$ 8 mil de plano de saúde por diagnóstico errado


Em: http://www.paraiba.com.br/. Acesso em: 14 fev. 20014

A Justiça do Rio de Janeiro condenou a Unimed-Rio a indenizar em R$ 8 mil um homem que recebeu diagnóstico errado em um hospital da empresa. O advogado Sérgio Baalbaki, foi diagnosticado com sinusite, quando, na verdade, estava com dengue. Na sentença, o juiz João Paulo Capanema de Souza, do 2° Juizado Especial Cível da Barra da Tijuca, considera que o equívoco da empresa de planos de saúde foi grave e assustou o paciente, que “teve sua vida posta em risco”.
Sérgio deu entrada no hospital da empresa de planos de saúde, na Barra da Tijuca, no início de 2013, com fortes dores de cabeça, febre, tosse e manchas vermelhas no corpo. Segundo a denúncia, o paciente permaneceu por três horas no local, sendo atendido, mas não passou por nenhum exame laboratorial. O diagnóstico foi de sinusite e o médico lhe prescreveu remédios para combater esse problema. No entanto, dois dias depois, ainda com os mesmos sintomas, o homem voltou ao hospital e, dessa vez, constatou-se que ele estava com dengue.
- Devido ao diagnóstico precário, o autor foi levado a consumir remédio contraindicado para o seu real quadro de saúde, e considerando o porquê da contraindicação já mencionado anteriormente, foi exposto a risco de morte, o suficiente para perturbá-lo - afirmou o juiz, que condenou a empresa por danos morais ao paciente.
Durante o processo, houve uma tentativa de conciliação entre as duas partes, mas sem sucesso. A Unimed-Rio ainda pode recorrer da decisão judicial.


Extra Online 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hospital de campanha para pacientes da dengue começa a funcionar no DF


A estrura montada ao lado do Hospital Regional de Brazlândia vai permanecer na região até que avanço da doença nos municípios goianos da Região Metropolitana de Brasília (RMB) esteja controladoCorreio Braziliense. Brasília-DF,  02 de maio de 2013. Caderno Cidades.
Na tenda complementar, médicos fazem testes com resultados em até 10 minutos (Divulgação/Pedro Ventura/Agência Brasília)
Na tenda complementar, médicos fazem testes com resultados em até 10 minutos

Com o objetivo de oferecer assistência médica para tratar os casos de dengue em Brazlândia, foi montado na quarta-feira (1º/5) o Hospital de Campanha, ao lado do hospital regional da cidade. A estrutura inflável, que comporta os aparelhos para atendimento e conta com equipes de médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem, começou a funcionar nesta quinta-feira (2/5) e deve permanecer na cidade até que o avanço da doença nos municípios goianos da Região Metropolitana de Brasília (RMB) esteja controlado.

O Ministério da Sáude cedeu a estrutura e conta com três consultórios, sala de observação e tenda complementar para realização de testes com resultados em até 10 minutos. 

"Nós iremos atender com o mesmo cuidado e a mesma dignidade todas as pessoas que procurarem os serviços de saúde do DF", afirmou o governador Agnelo Queiroz, ao visitar a estrutura montada em frente ao Hospital Regional de Brazlândia (HRB).

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Para receber o atendimento, o paciente deve, primeiro passar por triagem feita no hospital regional, que o encaminhará para a unidade especializada caso os sintomas forem semelhantes aos da dengue.

No local, os médicos podem confirmar o diagnóstico e, dependendo do quadro, vão solicitar exames complementares para tomar providências como a reidratação do doente e a aplicação de medicação.

O surto de dengue que o Entorno enfrenta causou aumento na demanda por atendimento no pronto-socorro de Brazlândia. O HRB teve acréscimo de 12% na procura por atendimento no pronto-socorro da clinica médica. A maioria desses pacientes apresenta suspeita de dengue e 90% são do estado de Góias.

À espera de um lar


Todos os dias, em média seis animais são adotados no Centro de Controle de Zoonoses, mas o número ainda é pequeno. Diariamente, 15 bichos de estimação acabam abandonados nas ruas do DF

» ISABELA DE OLIVEIRA
Correio Braziliense. Brasília-DF,  02 de maio de 2013
Lívia e André Bandeira com seus oito animais, dois deles adotados: o último é um pincher abandonado pelo dono após um acidente (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
Lívia e André Bandeira com seus oito animais, dois deles adotados: o último é um pincher abandonado pelo dono após um acidente

A servidora Kátia Paiva e a gatinha Iara, hoje com 4 anos:
A servidora Kátia Paiva e a gatinha Iara, hoje com 4 anos: "Quando a pessoa compra um animal, na maioria das vezes é para satisfazer um capricho"
O movimento no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é intenso quando, às 11h, os animais podem receber visitantes à procura de um novo amigo. São cães e gatos desabrigados, muitos no corredor da morte por serem portadores de doenças infecciosas ou por possuírem comportamento agressivo demais para adoção. Todos eles, em algum momento da vida, foram abandonados por seus donos. Muitos possuem histórico de maus-tratos. Apesar da dificuldade e da precária estrutura, a equipe do CCZ tenta humanizar os atendimentos e evitar os sacrifícios. 
De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, cerca de 1.680 cães e gatos foram adotados em 2012, média de seis por dia útil. Mas a procura ainda é pequena se comparada à quantidade de bichos abandonados diariamente nas ruas do DF. As autoridades sanitárias estimam que, todos os dias, 15 animais sejam deixados nas ruas por seus donos.

É o caso de Tony, que foi abandonado pela família após sofrer um acidente. Ele foi resgatado pela servidora pública Lívia Faria Bandeira, 35 anos, que salvou o cãozinho com poucas chances de sobreviver. Tony perdeu os movimentos das patinhas traseiras quando, conforme consta em seu histórico médico, foi atingido por um portão. O antigo dono abandonou o cachorro de raça pincher no Centro de Zoonoses após cinco meses do acidente, período em que tentou tratá-lo em casa. Durante esse tempo, o animal não conseguia nem sequer de movimentar. “Os veterinários tentaram convencer o antigo proprietário de que ele poderia levar uma vida normal, mas mesmo assim ele recusou”, contou Lívia.

Quando soube que Tony corria risco de morrer, ela não pensou duas vezes e o adotou. Lívia teve apoio do marido André Bandeira Vilhão, educador físico de 37 anos, que a ajudou com a despesa de cirurgias e medicamentos para o tratamento da mascote, o oitavo integrante da matilha liderada pelo casal. Além dele, a mestiça Olga foi retirada do CCZ. Ainda filhote, ela integra o grupo temporariamente, até que o casal encontre uma família que aceite adotá-la. Tony já ganhou uma cadeirinha e passa por sessões de fisioterapia. Com os chihuahuas Noel Rosa e Nelly, ele leva uma vida mansa e normal. Usa fraldas e rasteja pela casa com a mesma disposição de um cão fisicamente saudável. “Esperamos a liberação do veterinário para que ele possa andar por aí com a cadeirinha, que será adaptada”, comemora Lívia.

Felinos
Outro caso com final feliz é o da gatinha Iara. Ela foi adotada pela servidora pública Kátia Medeiros Paiva, 46 anos, em 2009. Iara, de 4 anos, foi resgatada do CCZ quando Kátia decidiu salvar alguns dos animais condenados. “Acabei levando seis bichos para casa, uns em um saco e outros em uma caixa, e Iara entre eles. Repassei-os a uma protetora independente, mas acabei ficando com essa gatinha, que foi levada ao veterinário, internada e medicada”, relembra a servidora.

Ela, que já adquiriu dois cães da raça lhasa apso em um petshop, conta que “quando a pessoa compra um animal, na maioria das vezes, é para satisfazer um capricho”. Kátia diz que na época não tinha a consciência de que, pela adoção, poderia ajudar um pet em situação de vulnerabilidade. “A pessoa que resgata recebe um bichinho que veio de um cenário de sofrimento, passou por dificuldades e pode até ter sido maltratado pelos antigos donos. Isso o torna especial.”

Lucia d’Andurain, gerente da Diretoria de Vigilância Ambiental, ressalta que o CCZ é responsável por zelar pela saúde pública e controlar doenças como a raiva, a leishmaniose, a leptospirose e a hantavirose. “Muitas pessoas pensam que somos um abrigo de animais, mas estão equivocadas. O CCZ também não é responsável por animais de rua, apenas por aqueles que oferecem risco à saúde pública. O animal é de inteira responsabilidade do dono”, explica a veterinária.

Apesar das limitações, o centro abriga animais e promove feiras de adoção com panfletos que ensinam sobre a posse responsável . Há cerca de seis anos, animais que não conseguiam ser adotados eram sacrificados automaticamente. “Estamos tentando fazer um serviço mais humanizado, embora esse não seja o objetivo do controle de zoonoses. Agora, só cães muito doentes, com leishmaniose, por exemplo, ou animais violentos é que são sacrificados” destaca a médica.

Marcel Pereira, especialista em comportamento animal e coordenador técnico da Merial, empresa que atua no desenvolvimento de tecnologia voltada para a saúde animal, afirma que é preciso ponderar antes de incluir um novo membro na família. “Às vezes, vamos pela empolgação na tentativa de ajudar um bichinho sem lar. As pessoas acabam comprando ou adotando por impulso e esquecem que ele pode ficar doente e vai ficar velhinho”, adverte.

O especialista ressalta que é necessário avaliar se a família terá paciência e disposição para lidar com as necessidades fisiológicas do animal, além de condição econômica para prover uma vida digna, com assistência médica e alimentação adequada. Marcel indica os gatos como mascotes para pessoas com rotina mais atribulada. “Eles são mais independentes e não necessitam de tanta atenção quanto um cachorro. Então são indicados para pessoas que passam mais tempo fora de casa ou viajam muito.”
Fique atento
Requisitos
Para adotar, é necessário ter mais de 18 anos
e apresentar à Zoonoses um documento de identidade. O proprietário também assina
um termo de responsabilidade

Endereço
A Zoonoses fica no Setor de Áreas Isoladas Norte (SAIN), Estrada Contorno do Bosque, Lote 4, próximo ao Hospital do Câncer Infantil

Horário
De segunda a sexta-feira, das 11h às 17h

Mais informações
3343-8813, 3343-8812, 3343-8803

Esponja em pó


TECNOLOGIA »Pesquisadores apresentam material capaz de absorver poluentes da água sem causar danos ao meio ambiente. Feita a partir do grafeno branco, a substância poderá ajudar na recuperação de sistemas aquáticos afetados por vazamentos de óleo

ROBERTA MACHADO
Correio Braziliense. Brasília-DF,  01 de maio de 2013. 

Uma parceria entre pesquisadores da Austrália e da França divulga hoje os resultados de um trabalho que usa os poderes da nanotecnologia para o tratamento de águas poluídas. Os cientistas usaram o “grafeno branco”, mesmo material adotado pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) para proteger naves de micrometeoritos, para desenvolver um tipo de esponja em pó que absorve de tudo, menos água. Quando jogados em um líquido contaminado, os minúsculos fragmentos de nitreto de boro (BN) trabalham como um ímã para poluentes. A técnica, que ainda passa por estudos laboratoriais, pode ser adotada no tratamento de resíduos de indústrias como óleos ou tinturas.
A invenção foi divulgada na revista Nature Communications, cujo site exibe um vídeo em que o poder da substância é demonstrado. Em um pequeno recipiente, uma pipeta pinga algumas gotas de óleo escuro sobre o volume d’água. Logo o líquido viscoso se espalha e forma uma mancha na superfície transparente. Quando o grafeno branco é acrescentado, a sujeira começa a formar uma bolota com o material sólido, que suga o óleo rapidamente. Esse detrito, explicam os pesquisadores, continua a flutuar na água sem se molhar, graças às propriedades hidrofóbicas do material. Basta retirá-lo do recipiente, sem qualquer tipo de filtragem.

A substância foi testada em pequenas proporções, mas os criadores da técnica acreditam que ela também possa ser usada em situações de porte maior, como o tratamento de resíduos de indústrias inteiras ou até mesmo no vazamento de óleo de plataformas petrolíferas. “Eles são grandes candidatos para resolver os poluentes de indústrias têxteis, de papel ou de couro”, sugere Weiwei Lei, um dos criadores do pó absorvente e pesquisador de pós-doutorado do Institute for Frontier Materials, da Universidade Deakin, na Austrália.

Os responsáveis pelo material acreditam que ele possa substituir métodos como a combustão, a coleta mecânica e alguns tratamentos químicos usados hoje para a limpeza de águas poluídas com componentes orgânicos. A absorção de BN, apontam, pode ser mais eficiente e seletiva que a maioria das técnicas atuais. “Acredita-se que o nitreto de boro não seja tóxico para o ambiente ou para o corpo humano, mas ainda queremos ter cautela e não recomendar que se beba a água tratada com as nanofolhas sem um tratamento de filtração”, ressalta Lei.

O especialista Marco Antonio Almeida de Souza, pesquisador do Programa de Pós-graduação em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos da Universidade de Brasília (UnB) avaliou a pesquisa e acredita que, depois de concluída, ela pode ser útil no estágio final de limpeza de águas contaminadas. “Temos processos alternativos e mais baratos, mas que têm o problema do polimento final. As formas mais baratas de remover óleo deixam pequenos traços residuais, então a aplicação da absorção seria mais útil no tratamento que chamamos de terciário ou quaternário, que é o polimento final da água”, acredita Souza.

Uma limpeza detalhada poderia, de acordo com o professor, eliminar elementos como pesticidas ou resíduos descartados pelas indústrias farmacêuticas que afetam o bioma aquático e a qualidade de vida urbana. “São poluentes que não existiam na água em quantidade significativa e começam a ser um problema. Se esses compostos não forem retirados, vão para rios e lagos, onde são captados para o fornecimento da população de novo. Eles passam incólumes no tratamento da água e podem trazer problemas que se acumulam no organismo a longo prazo”, alerta.

Poros
O experimento mostra mais uma das utilidades da nanociência, linha de pesquisa crescente que têm desafiado as leis da física com estranhas substâncias criadas em laboratório. Entre elas, o nitreto de boro mostrou propriedades tão impressionantes quanto as do grafeno, material que rendeu o prêmio Nobel de Física aos cientistas russos que o criaram em 2010. O grafeno branco, como é chamado, também está entre um dos materiais mais resistentes que existem e, por isso, é usado pela Nasa na forma de nanotubos para a fabricação de coberturas de espessura atômica de componentes de naves espaciais.

No caso do pó superabsorvente, o grande trunfo está no processo de fabricação. Depois de ser aquecida a mais de 1.100ºC, a mistura que dá origem ao material começa a liberar bolhas de gás nanométricas, que formam muitos poros na substância. A estrutura de queijo suíço cria uma superfície de contato de até 1.425m² por grama, o que garante bastante espaço para os poluentes se impregnarem ao pó. A capacidade de absorção chega a 33 vezes o peso do próprio material.

A notável resistência do nanomaterial à oxidação permite que ele seja lavado, aquecido ou mesmo queimado para a remoção dos poluentes orgânicos removidos da água. Ele pode passar pelo mesmo processo ao menos cinco vezes até começar a perder a capacidade de absorção. “Tanto os materiais quanto o processo de produção são ambientalmente corretos, sem o uso de materiais tóxicos”, assegura Ying Chen, professor da Universidade Deakin e especialista em nanomateriais que participou do desenvolvimento da substância.

"Acredita-se que o nitreto de boro não seja tóxico para o ambiente ou para o corpo humano, mas ainda queremos ter cautela e não recomendar que se beba a água tratada com as nanofolhas sem um tratamento de filtração”
Weiwei Lei, 
um dos criadores do pó absorvente