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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Medidas para contornar falta de água ampliam focos de mosquito da dengue

O ESTADO DE SÃO PAULO, São Paulo, 13 de fevereiro de 2011 

 

Saúde. Moradores submetidos a rodízio de abastecimento acabam estocando água em depósitos inadequados; estudo do Ministério da Saúde indica que combate à doença depende mais das ações do governo do que do cuidado da população com vasos e plantas


Lígia Formenti / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Vasos de plantas e bromélias estão perdendo o posto de principais vilões da dengue para os criadouros em caixas d"água, tambores, tonéis e poços. A mudança, estampada em estatísticas feitas pelo Ministério da Saúde, indica que hoje o combate à doença em algumas regiões depende muito mais das ações de governo do que da simples convocação da população para cuidar da areia nos pratos dos vasos ou fechar os ralos.

Há capitais que, até hoje, têm bairros submetidos a um rodízio de abastecimento d"água, o que serve de incentivo para a população fazer estoque em depósitos nem sempre adequados.
O Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de 2010, um mapeamento dos focos do mosquito transmissor da doença em pontos prioritários, revela que capitais de todas as regiões do País - exceto as da Região Sul - registraram um crescimento de criadouros vinculados aos problemas de abastecimento.
Na Região Nordeste, por exemplo, 72% dos focos encontrados estão nos depósitos de água. Na Região Norte, esse perfil se repete: 48% dos criadouros foram encontrados em caixas d"água, tambores, tonéis e poços. Em contrapartida, focos ligados a depósitos domiciliares (vasos e pratos de plantas, ralos, lajes e piscinas) tiveram uma queda em todas as regiões do País - exceto, mais uma vez, na Região Sul. A maior redução foi registrada no Norte. Em 2009, 29,8% dos pontos de infestação estavam nas casas. Em 2010, o índice passou para 22,6%.
A análise dos municípios considerados prioritários para dengue também comprova o impacto de falhas no abastecimento sobre o panorama da doença. Das 40 cidades com alto risco de apresentar epidemia de dengue neste ano, 27 (equivalente a 67,5%) têm como criadouros predominantes lugares relacionados ao abastecimento d"água. E essa situação é encontrada mesmo em cidades do Sudeste, como São Gonçalo, Duque de Caxias e São João do Meriti, todas no Rio.
Rodízio d"água. "Não há dúvida de que é preciso concentrar esforços para melhorar as condições de oferta de água", constata o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. E a estratégia, acrescenta, tem de ser reforçada não apenas em locais onde o abastecimento não existe, mas também em áreas onde a falta d"água é constante. Ele cita como exemplo bairros do Recife que convivem há mais de uma década com rodízio de água. "Para se prevenir, pessoas armazenam água de várias formas. E nem sempre a vedação é adequada", diz.
O secretário de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar da Cunha Tiscoski, reconhece que há ainda um longo caminho a percorrer.
Dos 628 projetos de saneamento e abastecimento em regiões consideradas vulneráveis para a dengue no Programa de Aceleração do Crescimento, lançado em 2007, apenas 38 obras foram concluídas, isto é 6%. Outros 417 projetos foram iniciados. "Será preciso ainda esperar pelo menos 3 ou 4 anos para que essas obras estejam concluídas", admite Tiscoski.
Uma fatia do PAC 2 também será reservada para obras de saneamento e abastecimento. Há um mês, durante reunião interministerial com a presença da presidente Dilma Rousseff para discutir a dengue, foi definido que a prioridade será dada para obras em cidades consideradas de risco para a doença. "Esperamos que a próxima etapa seja feita com um pouco mais de agilidade", afirma Tiscoski.
O principal empecilho na primeira etapa, disse o secretário do Ministério das Cidades, foi o despreparo de municípios e Estados para apresentar projetos nessa área. "Boa parte dos projetos teve de ser recusada, por inadequações de estudos."


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mata-mosquitos modernos

São Paulo, sábado, 12 de fevereiro de 2011



DRAUZIO VARELLA
Mata-mosquitos modernos

Estudos demonstraram que a simples infecção por Wolbachia torna o Aedes aegypti resistente à dengue

COMBATER O mosquito da dengue com inseticidas é guerra perdida.
Popularmente conhecido como fumacê, a eficácia do método de espalhar nuvens de inseticida pelas ruas é comprometida porque os moradores fecham as janelas assim que o caminhão aparece na esquina e o Aedes aegypti não é bobo, corre para se esconder nas frestas e nos cantos das casas.
Nos últimos meses, foram descritos dois métodos novos para reduzir o impacto da dengue em países sistematicamente assolados por epidemias.
O primeiro foi desenvolvido pela equipe de Scott O'Neill da Universidade de Queensland, na Austrália. Baseados na descoberta de que a infecção pela bactéria Wolbachia pipientis torna os mosquitos resistentes ao vírus da dengue, os australianos pretendem testar se é possível disseminá-la entre os mosquitos que infestam as cidades. Com esse objetivo, libertarão alguns Aedes infectados em laboratório.
Duas cidades no Estado de Queensland foram selecionadas para o primeiro estudo de campo. Ainda neste ano, deverão ser iniciados testes no Vietnã e na Tailândia.
A Wolbachia é uma bactéria ubíqua entre os insetos: pode ser encontrada em mais da metade deles, incluindo em diversas espécies de mosquitos que infelizmente não incluem os transmissores de doenças humanas. Através dos ovos, as fêmeas infectadas transmitem a bactéria para todos os mosquitos-filhos. Quando uma fêmea não infectada se acasala com um macho infectado, os descendentes se tornam inviáveis.
E mais, diversos estudos recentes demonstraram que a simples infecção por Wolbachia torna o Aedes aegypti resistente ao vírus da dengue, graças à ativação do sistema imunológico do inseto e/ou porque a bactéria compete com o vírus por componentes celulares essenciais à sua sobrevivência.
Por meio desses mecanismos, a Wolbachia age como uma "vacina" que protege os mosquitos contra a aquisição da dengue.
Para surpresa dos pesquisadores, no entanto, a mesma estratégia parece protegê-los contra o vírus chikungunya, causador de doença humana, contra as filárias responsáveis pela elefantíase, enfermidade parasitária que provoca inchaço nos membros inferiores, além de inibir diversas espécies de Plasmodium, o parasita da malária.
Para o teste a ser realizado em Queensland, a equipe pretende libertar dez mosquitos infectados por semana, durante três meses, para observar como a bactéria se dissemina. O risco desse procedimento à saúde humana foi considerado "insignificante", pela rigorosa Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Austrália.
O segundo método gerou mais controvérsias por envolver a liberação de mosquitos geneticamente modificados, tema sujeito a debates apaixonados.
Numa entrevista a jornalistas realizada em Londres, em novembro último, a companhia inglesa Oxitec informou que havia realizado o primeiro estudo com Aedes aegypti transgênicos numa das ilhas Cayman, no Caribe.
O programa recebeu a autorização oficial do governo de Cayman para libertar mosquitos machos equipados com um gene dotado da propriedade de destruir seus descendentes ainda na fase larvária. Ao contrário das fêmeas, como os mosquitos machos são vegetarianos e não picam ninguém, não oferecem risco de transmitir doenças ao homem.
A primeira pesquisa de campo foi realizada no fim de 2009. Mais tarde, em maio e outubro de 2010, foram libertados dez mosquitos geneticamente modificados para cada macho selvagem existente numa área de 16 hectares.
Quando essa área de estudo foi comparada com outra que serviu de controle, foi encontrado um número de mosquitos 80% menor.
Grupos de defesa do ambiente lamentaram a falta de discussão internacional que cercou a libertação desses machos transgênicos. O governo das ilhas Cayman diz que a população da ilha foi informada previamente e que a autorização oficial foi dada por julgar que o procedimento obedecia às regras de biossegurança do território.
Ouvido pela revista "Science", Willen Takken, da Universidade Wageningen, na Holanda, disse que considera o experimento simples versão moderna da tecnologia de esterilização de insetos por meio da irradiação dos machos, técnica que tem sido empregada com muito sucesso na erradicação de pragas na agricultura há mais de meio século.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dengue registra 32 casos em apenas 16 dias

 
 
 
Quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
CORREIO BRAZILIENSE,     
  
 
Balanço
 
Em 24 de janeiro, a Secretaria de Saúde confirmou uma pessoa com a doença.
Ontem, novo boletim apontou 33. Notificações somam 377
» Ariadne Sakkis
 
Rafael Ohana/CB/D.A Press
Mato alto e latas em que pode haver acúmulo de água: condições propícias ao aparecimento do Aedes aegypti
 
O último boletim informativo de dengue divulgado pela Secretaria de Saúde ontem, referente ao período de 1º de janeiro a 9 de fevereiro, mostra que o Distrito Federal tem 33 casos confirmados da doença. São 32 registros a mais em comparação aos dados divulgados em 24 de janeiro, quando havia apenas um episódio confirmado. Já o total de notificações aumentou 225%, saindo de 116 para as 377 atuais. Nenhuma morte foi atribuída à contaminação.

Segundo os registros do Sistema de Informação e Agravos de Notificação (Sinan) do Núcleo de Controle de Endemias, do total de episódios confirmados, 14 tiveram a transmissão no DF e 19 pessoas contraíram a doença em outros estados, principalmente em Goiás. Três cidades respondem pela maior parte das notificações: Samambaia tem 46 casos, Planaltina, 39, e Ceilândia, 35. Do total de episódios suspeitos, 43 foram descartados e 301 permanecem sob investigação.

Para o coordenador-geral do Programa de Prevenção e Controle da Dengue, Ailton Domicio da Silva, os resultados correspondem à expectativa de evolução da doença. Ele explica que os dados de 2011 não podem ser comparados com os do ano anterior porque a situação vivida pelo DF em 2010 foi excepcional. Por isso, os boletins têm trazido a comparação dos dados atuais com os de 2009, que mostra aumento de notificação — de 292 em 2009 para 377 em 2011 — e diminuição de 45% no total de contaminados — há dois anos, eram 61 confirmações e hoje são 33. “O aumento de notificações significa que os profissionais de saúde estão pensando em dengue, cujos sintomas se confundem com milhares de outras doenças. E é a partir da notificação que podemos tomar as medidas de controle”, explica.

Silva aponta que não há concentração da doença em nenhuma cidade e que os episódios não estão interligados. “Não existe surto no DF. O trabalho feito nos últimos quatro meses do ano passado tem repercussão nos resultados alcançados. Apesar de termos uma sinalização muito boa de que a situação está sob controle, não significa que podemos relaxar. É preciso continuar com a mobilização, principalmente da comunidade”, indica o coordenador.

A estimativa é que 90% dos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, estejam dentro de domicílios. Por isso, o programa de combate à dengue está firmando parcerias com empresas de telefonia, associações religiosas, escolas e até com a Companhia Energética de Brasília (CEB) e com a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) para reforçar a necessidade de prevenção. “Precisamos aprender com o nosso passado, com o ano de 2010. Foi a pior experiência do DF desde 1997, quando houve os primeiros casos de dengue. Estamos trabalhando para que isso nunca mais se repita”, garante Silva. Em 2010, o Distrito Federal registrou 20.332 casos da doença e sete mortes em decorrência dela, configurando o pior surto de dengue da história da região.

O trabalho de prevenção ganhará reforço, já que as diretorias regionais de saúde das cidades fizeram o compromisso de reativar, até 28 de fevereiro, os grupos executivos de prevenção, formados por líderes comunitários, representantes de saúde, de órgãos de limpeza urbana e fiscalização.

Dengue: estado teme possibilidade de epidemia


O GLOBO, Rio de Janeiro, 09 de fevereiro de 2011Secretaria estadual de Saúde
Dengue: estado teme possibilidade de epidemia
RIO - A Secretaria estadual de Saúde se encontra em estado de alerta diante da possibilidade de disseminação da dengue. De 2 de janeiro até o dia 5 deste mês, foram registrados 3.582 casos da doença em todo o estado. O número está dentro do previsto para esta época do ano, segundo a secretaria. No entanto, a preocupação é com a possibilidade de ocorrer uma epidemia entre março e abril, quando normalmente acontece o pico no número de casos da doença. Há seis mortes sendo investigadas, mas até agora nenhum óbito foi registrado este ano.
A morte da menina Laís Melo Miranda Soares, de 9 anos, por dengue hemorrágica , não vai entrar nas estatísticas de 2011. Moradora de Itaboraí, Laís estava internada desde o dia 26 de dezembro no Hospital Santa Cruz, em Niterói. Ela morreu na terça-feira, mas, como contraiu a doença no ano passado, seu óbito será computado no levantamento de 2010.
Segundo o avô da menina, Edinir Antônio Soares, Laís começou a sentir os primeiros sintomas da doença logo após o Natal e foi internada na madrugada do dia 26 de dezembro. Ela foi levada para um hospital em Itaboraí e depois transferida para o Hospital Santa Cruz. Laís foi sepultada na terça-feira no Cemitério Parque da Paz, em Itaboraí.
Preocupação com a circulação do vírus 1
O superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Secretaria estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, disse que uma preocupação este verão é com a circulação do vírus 1 da dengue, que não era detectado no estado desde o final da década de 80 e voltou a aparecer no ano passado. A população jovem é a mais suscetível à doença, porque nunca teve contato com esse tipo de vírus. Outra preocupação é com a possibilidade da chegada à Região Sudeste do tipo 4 da doença, o que provocaria uma epidemia, já que a população nunca teve contato com esse vírus.
Dos 3.582 casos notificados no estado até agora, 1.473 (41,1%) foram classificados como dengue clássica, 155 (4,3%) como casos de dengue com complicação (DCC), 28 (0,8%) como casos de febre hemorrágica por dengue (FHD) e um (0,03%) como síndrome do choque por dengue (SCD). No ano passado, foram registrados 29.922 casos, com 43 mortes.
A Secretaria estadual de Saúde criou um grupo especial para acompanhar o número de casos de dengue. Além disso, os sintomas dos pacientes estão sendo monitorados.
- A orientação é que, nesta época, pacientes que forem às unidades de saúde com sintomas da dengue (como febre e dor no corpo) tenham seus casos comunicados como suspeitos - disse Alexandre Chieppe. - Corremos o risco de aumentar o número de casos além do real, mas é melhor, para evitar complicação.
Na capital, segundo a Secretaria municipal de Saúde, foram registrados 1.107 casos de janeiro até agora. Em 2010, foram 3.120 doentes em todo o ano e seis mortes.
Os índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti continuam altos. De acordo com levantamento de outubro, a média na cidade era de 1,7%, quando o tolerável é menos de 1%.

Cientistas criam novo sistema para rastrear surtos de doenças animais e prevenir pandemias


O GLOBO, Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2011

Cientistas criam novo sistema para rastrear surtos de doenças animais e prevenir pandemias

RIO - Dezenas de pesquisadores espalhados por diversos países, principalmente na África e Ásia, formam uma rede que se dedica a identificar doenças que atacam animais mas têm potencial para infectar humanos. Esse caçadores de germes, que fazem parte de instituições, como, por exemplo, a Iniciativa Global para Previsão de Vírus (GVFI, na sigla em inglês), vivem embrenhados na selva ou no meio de criações de animais à procura de pragas que podem destruir a humanidade, como o da gripe H1N1, que há quase dois anos foi responsável por uma pandemia que matou milhares de pessoas em todo o planeta. Agora um novo projeto internacional vai se antecipar a possíveis transmissões de doenças de animais para humanos.
O objetivo do projeto é que a humanidade não seja surpreendida por pandemias. No início de 2009, pesquisadores já tinham quase certeza onde uma pandemia de gripe teria início: a Ásia. A progressão constante do vírus H5N1 da gripe aviária, que se espalhou a partir de aves selvagens e domésticas para humanos, matando pelo menos 306 pessoas desde 2003, era um sinal.
A Ásia e especialmente o sul da China, com residências abrigando grande concentração de humanos e aves, geralmente têm sido as regiões onde o vírus de novas gripes surgem, infectando os animais antes de sofrerem mutação e atacarem humanos. A pandemia de 1957 ficou conhecida como gripe asiática e de 1968 foi chamada de gripe de Hong Kong, por causa de seus pontos de origem. E até a pandemia de 1918, popularmente chamada de gripe espanhola, pode muito bem ter vindo da Ásia.
Mas da última vez os cientistas erraram. O vírus que disparou a nova pandemia, o H1N1, na primavera de 2009, surgiu no México, e aparentemente não vinha de aves, mas de porcos (daí o termo "gripe suína"). Os epidemiologistas do mundo estavam se preparando para uma invasão do leste, mas foram atingidos em seu ponto fraco. O governo mexicano merece ser aplaudido por ter reagido ao novo vírus relativamente bem - e mais importante, de forma aberta - mas o fato é que a pandemia surgiu num ponto cego e certamente retardou a reação internacional ao ataque do vírus. Felizmente, o H1N1 acabou por ser bastante fraco. Porém se tivesse sido um assassino num nível da pandemia de 1918, o número de vidas perdidas teria sido muito maior.
Agora, cientistas lançaram um novo projeto, o Predict, uma ferramenta de mapeamento on-line que permitirá aos cientistas rastrearem surtos de doenças animais que ameaçam os seres humanos, segundo reportagem na "Time". Financiado pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e liderada por um grupo de instituições, incluindo a Wildlife Conservation Society (WCS) e a GVFI, o sistema vai monitorar dados da Organização Mundial da Saúde, emitindo alerta, notícias e realizando fóruns on-line para os epidemiologistas. Um dos objetivos é criar um mapa digital de animais onde os surtos estão ocorrendo em todo o mundo e quais são um perigo para humanos.
O consórcio foi criado em 2009 durante a pandemia de H1N1 e agora pesquisadores esperam que um melhor sistema de rastreamento de informações possa ajudar os cientistas a não serem pegos de surpresa.
A Predict é apenas uma indicação mais recente de que as autoridades e cientistas estão finalmente começando a levar as doenças dos animais a sério. Quase 75% de todas as novas doenças emergentes ou reemergentes que afetam os humanos no século 21 teve origem em animais, incluindo o HIV/Aids, a SARS e a gripe.
- Podemos não ser capazes de evitar a próxima pandemia de gripe ou de doença emergente transmitida de animais para seres humanos, mas devemos saber quando isso vai acontecer - disse Nathan Wolfe, do GFVI.

Quatro municípios mineiros vivem surto de leishmaniose

 O ESTADODE SÃO PAULO, São Paulo, 09 de fevereiro de 2011

Quatro municípios mineiros vivem surto de leishmaniose

Ao menos duas pessoas já morreram neste ano; mais de 500 foram infectados em 2010

Marcelo Portela - O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE - Quatro municípios mineiros vivem um surto de leishmaniose em humanos, doença que já matou ao menos duas pessoas no Estado este ano. Apesar de uma das mortes ter sido registrada em Divinópolis, na região centro-oeste, a situação mais preocupante é nas cidades de Governador Valadares, Ipanema, Resplendor e Conselheiro Pena, todas no Vale do Rio Doce mineiro. Em Valadares, um homem de 75 anos também morreu vítima de leishmaniose visceral em 2011.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) mostram que a doença infectou 502 pessoas e foi responsável por 49 mortes em Minas no ano passado. Desse total, 14 mortes e 107 diagnósticos positivos foram em Belo Horizonte. No entanto, os dados são parciais e os números podem ser ainda maiores.
Em 2009, foram registradas 75 mortes causadas pela doença no Estado, um crescimento de 134% em relação aos 32 óbitos ocorridos no ano anterior. Já o número de pessoas infectadas passou de 509 em 2008 para 601 em 2009, o que representa aumento de 18% nos casos. A morte mais recente foi a registrada em Governador Valadares, onde foram diagnosticados pelo menos mais cinco casos de pessoas com a doença.
De acordo com a SES, a localização geográfica e o clima na região do Vale do Rio Doce favorecem a propagação da doença, que é transmitida pelo mosquito Lutzomia longipalpis, conhecido popularmente como mosquito palha. No fim de janeiro, uma mulher de 54 anos já havia morrido em Divinópolis. Ela foi internada no início de dezembro do ano passado, mas apresentou melhora e chegou a ter alta. No entanto, voltou a ser internada em meados de janeiro e não resistiu.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PBH gasta R$ 5 mi ao ano para capturar animais abandonados e devolvê-los às ruas

O ESTADO DE MINAS, Belo Horizonte, 20 de janeiro de 2011

PBH gasta R$ 5 mi ao ano para capturar animais abandonados e devolvê-los às ruas

Luciane Evans -





Na Sociedade Mineira Protetora dos Animais, voluntários como Gabriela Braga cuidam de cerca de 700 cachorros e não há mais vagas (Jair Amaral/EM/D.A Press)
Na Sociedade Mineira Protetora dos Animais, voluntários como Gabriela Braga cuidam de cerca de 700 cachorros e não há mais vagas
Sem um abrigo municipal que possa acolher quase 30 mil cães abandonados em Belo Horizonte, os ditos “melhores amigos” do homem transformaram-se em um desafio que queima recursos públicos, deixa milhares de animais entregues à própria sorte e não tem solução à vista. A prefeitura não dispõe de lugar para receber os cachorros, tampouco planeja criar um; a Sociedade Mineira Protetora dos Animais, organização não governamental que é referência para o acolhimento, já conta com quase 700 indivíduos à espera de adoção e não tem mais vaga. Proibida de sacrificar injustificadamente os bichos capturados, a administração municipal adotou uma política que, embora custe R$ 5 milhões ao ano, devolve o problema para as ruas. Os cães são recolhidos e examinados. Os contaminados por leishmaniose vão para o sacrifício; os sadios recebem vacina contra a raiva e um chip. Depois, são soltos.

“Antes eles matavam; agora, abandonam”, critica a promotora de Meio Ambiente de BH, Lilian Marotta, lembrando que, até 2006, a prefeitura recolhia e sacrificava os cães de rua. Depois de uma briga judicial, que envolveu entidades de defesa dos animais e o Ministério Público, o extermínio foi proibido, mas outro problema surgiu: “O poder público está concentrado na saúde humana, no controle de leishmaniose. Não há uma política pública que tente solucionar o abandono. Não há uma promoção da prefeitura para a adoção nem sequer um abrigo para acolher esses bichos” aponta.

Para piorar, quem quer entregar um cão ou gato para adoção esbarra em outro entrave: lotada, a Sociedade Mineira Protetora dos Animais tem cobrado R$ 200 dos donos que optam por entregar seus bichos. O impasse tem deixado muitos belo-horizontinos de mãos atadas. Douglas da Silva está nessa situação há um ano. Dono de um cocker há seis anos, Douglas se viu obrigado a doar o cão depois que descobriu que seu filho, de 2 anos, era alérgico. “A prefeitura não tem um espaço e não tenho condições de pagar R$ 200 para uma ONG. As outras organizações também dizem que não há vagas. Não tenho coragem nem vou abandoná-lo na rua, muito menos sacrificá-lo”, relata. Por motivo diferente, a família de Pablo Gabriel Viana enfrenta problema semelhante: há cinco meses tenta entregar a vira-lata Preta a algum órgão que possa cuidar dela, que está muito doente. “Nosso medo é de que a doença possa contaminar os outros cães da casa ou até mesmo a própria família”, diz Pablo.

Despesa

Desde que foi proibido de sacrificar cães abandonados, o Centro de Zoonoses de BH os recolhe de áreas com alto índice de casos de leishmaniose. Eles são levados para o centro, no Bairro São Bernardo, na Região Norte, e submetidos ao teste para a doença. “Caso o resultado seja positivo, fazemos a eutanásia”, conta o secretário municipal-adjunto de Saúde, Fabiano Pimenta. Caso dê negativo, é implantado em cada indivíduo um microchip contendo informações sobre sua saúde. Depois, ele é vacinado contra raiva e castrado. “Em seguida, fica para a adoção, no Centro de Zoonoses, durante 15 dias. Se não aparecer um dono, volta para a rua”, conta Pimenta. A manutenção do centro custa aos cofres públicos R$ 5 milhões por ano, sem contar os salários dos funcionários. “Só para a implantação do chip são R$ 250 mil anuais.”

O índice de retorno de cães e gatos para as vias da cidade é bem maior do que a possibilidade de eles encontrarem um lar. São atualmente, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), 288,7 mil cães e 38,7 mil gatos em BH. Destes, estima-se que 10% estejam nas ruas. No ano passado, 10.568 cães sadios foram recolhidos, castrados e entregues à adoção. Destes, 3.170 conseguiram um lar e 7.398 voltaram para as ruas. Os doentes, que foram sacrificados, representam 40% do total de 17.613 cachorros recebidos no Centro. Ou seja, mais de 7 mil foram mortos.

Os R$ 200 cobrados pela Sociedade Mineira Protetora dos Animais para donos que queiram entregar seus companheiros, segundo conta a presidente da ONG, Leilane Lopes, destinam-se a manter o abrigo funcionando. “Não recebemos nenhum recurso da prefeitura”, diz. Quando cães ou gatos de rua estão machucados ou doentes e não têm dono, a ONG os recolhe. Por semana, segundo ela, são recebidos cerca de 30 animais, dos quais oito são adotados. “Nossa despesa é alta. Apesar da ajuda de voluntários, temos funcionários para pagar. Contamos com o trabalho de veterinários. Recebemos doações de comida, mas já estamos no limite”, afirma. Para a promotora Lilian Marotta, esse tipo de problema não pode ser um ônus para as entidades: é responsabilidade do poder público.

A única solução prevista para o desafio – que envolve também a consciência de quem decide criar um animal, além de representar uma ameaça à saúde pública – é um convênio entre a prefeitura e uma ONG (cujo nome ainda não foi divulgado), no valor de R$ 200 mil, a ser formalizado neste semestre. “O objetivo do acordo é realizar ações de mobilização e feiras de adoção. Além disso, vamos criar centros de zoonoses na cidade. Hoje, temos nas regiões Oeste e Noroeste e uma unidade móvel. Queremos implantar nas regiões Leste e Nordeste”, diz o secretário-adjunto Fabiano Pimenta.